O brasileiro que venceu a balança e virou ídolo do futebol alemão

Aílton Gonçalves, revelado pelo Mogi Mirim e destaque do Guarani nos anos 90, afirmou em entrevista ao ge que chegou a pensar em parar de jogar por causa da pressão sobre seu peso. O ex-atacante, que conquistou a Bundesliga em 2004 e terminou como artilheiro pelo Werder Bremen, diz que perdeu oportunidades em diferentes mercados porque clubes confundiam sua estrutura corporal com falta de condição física. “O meu corpo pode ser que transmita que eu esteja gordo, mas é o seguinte, essa é a minha forma física, essa é a minha estrutura corporal. E você está confundindo isso aí com outras coisas. Quer corpo diferente, de atleta em mim? Então você contrata um modelo”.
Ele contou que as cobranças também apareceram no Besiktas, da Turquia, onde atuou em apenas 18 jogos, e que usava as críticas como combustível. “Eu fui bastante criticado na época, porque eles não aceitavam um jogador de futebol com uma estrutura corporal igual a minha, mas acabou se tornando uma motivação enorme para dentro de campo, eu demonstrar quem eu era”. No Werder, o brasileiro viveu o auge: marcou 106 gols pelo clube e, na temporada 2003/04, ajudou a derrubar o Bayern de Munique em confronto direto vencido por 3 a 1, a caminho do título alemão e da Copa da Alemanha.
A trajetória começou no Estudante de Timbaúba, passou pelo Mogi Mirim do “Carrossel Caipira”, pelo Ypiranga de Erechim, Internacional, Santa Cruz, Guarani e Tigres antes da Alemanha. Aílton também relembrou a proposta da Federação de Futebol do Catar para se naturalizar por US$ 1 milhão, mas a Fifa barrou o plano, e a disputa com um empresário que tentou levar a leilão seu troféu de artilheiro por uma cobrança de 300 mil euros; segundo ele, a Justiça impediu a venda. Hoje, o ex-jogador alterna entre Alemanha e Paraíba, atua como embaixador do Werder Bremen e quer agenciar atletas.
