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O “golpe da planta”: anúncios com IA vendem espécies que não existem

Flores com aparência artificial e detalhes semelhantes a olhos de gato
Flores com aparência artificial e detalhes semelhantes a olhos de gato. Foto: Reprodução

Consumidores relatam um novo tipo de fraude em vendas online, apelidado de “golpe da planta”, no qual anúncios usam imagens geradas por inteligência artificial para oferecer espécies que não existem ou sementes que não correspondem ao produto anunciado. Uma mulher de 35 anos pagou R$ 219,90 por um kit de plantas anunciado no Facebook e fechou a compra pelo WhatsApp. “Na pressão, não percebi que se tratavam de imagens falsas”, afirmou. Depois do pagamento, o vendedor respondeu que estava “tudo certinho” e parou de responder; ela encontrou o mesmo telefone associado a relatos semelhantes e registrou boletim de ocorrência. Com informações da GQ Brasil.

Profissionais de jardinagem e biólogos ouvidos pela reportagem afirmam que anúncios desse tipo aparecem em sites e plataformas de venda, com flores, folhagens e plantas raras criadas por IA ou espécies comuns oferecidas como se fossem raridades. A influenciadora Roseli Francisco, da página “A Loucas das Plantas”, com 430 mil seguidores no Instagram, disse que recebe queixas quase diariamente e alertou para preços muito abaixo do mercado. Em outro caso, a autônoma Isabella de Cássia, 30, pagou cerca de R$ 40 por 500 gramas de um produto anunciado como sementes de grama-esmeralda na Shopee; após plantar uma amostra em um vaso, viu crescer uma planta de cerca de 50 centímetros, com aparência de capim comum.

A Shopee informou que investiga o caso e declarou exigir que lojistas cumpram a legislação e suas políticas. A Meta afirmou que não permite atividades destinadas a enganar, fraudar ou explorar terceiros no Facebook e no Instagram. Para a advogada Maria Inês Dolci, da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP, o uso de imagem sintética para atribuir características falsas a um produto biológico pode configurar publicidade enganosa. Especialistas recomendam guardar sementes, embalagens, notas fiscais, comprovantes, prints de anúncios e conversas, além de denunciar o caso ao Consumidor.gov.br ou aos Procons; quando o problema só aparece após a germinação, o consumidor ainda pode alegar vício oculto.