O que a ciência diz sobre a diminuição do cromossomo Y e o suposto “fim dos homens”

Diminuto em comparação ao cromossomo X e com apenas cerca de 50 genes funcionais, o cromossomo Y vem há décadas ganhando manchetes, muitas vezes em tom apocalíptico. Muito se especula sobre um eventual “fim dos homens”. Por trás da discussão, está o consenso de que o cromossomo Y sofreu uma degradação histórica considerável, mas, na comunidade científica, não há consenso sobre seu desaparecimento.
A bióloga evolutiva Jenny Graves estimou que, se a perda de genes continuasse no ritmo observado, o cromossomo Y poderia desaparecer em cerca de 4,5 milhões de anos. “Surpreende-me que alguém se preocupe com a extinção dos homens dentro de cinco ou seis milhões de anos”, disse ela ao Science Alert. O isolamento do Y é um fator: ele não troca segmentos de DNA com um homólogo para corrigir erros.
Por outro lado, a bióloga Jenn Hughes, do MIT, sustenta que os genes essenciais do Y se mantêm estáveis há 25 milhões de anos. Seu argumento é que há forte pressão evolutiva para preservá-los. Graves não nega a estabilidade atual, mas ressalta: “qualquer coisa entre agora e nunca”. A discussão sobre o destino do cromossomo Y permanece aberta na ciência.
