O que explica a diferença entre católicos e evangélicos sobre os santos

A devoção a santos é uma das diferenças mais conhecidas entre católicos e evangélicos. Enquanto a tradição católica desenvolveu, ao longo dos séculos, práticas de veneração e intercessão ligadas a figuras consideradas santas, as igrejas evangélicas adotaram uma interpretação baseada no princípio da “Sola Scriptura”, segundo o qual apenas a Bíblia deve orientar a fé e a prática religiosa.
Segundo teólogos ouvidos pela Folha de S.Paulo, os evangélicos reconhecem os santos como exemplos de fé e personagens importantes da história cristã, mas rejeitam orações dirigidas a eles. Para essa corrente, a mediação entre Deus e os fiéis é exercida exclusivamente por Jesus Cristo, entendimento apoiado em passagens bíblicas frequentemente citadas por igrejas protestantes.
A rejeição à devoção aos santos, porém, não significa afastamento completo das tradições populares. Muitas comunidades evangélicas realizam festas caipiras, utilizam elementos típicos das festas juninas e promovem celebrações semelhantes, mas sem o componente religioso ligado a São João, Santo Antônio ou São Pedro. Especialistas afirmam que essas práticas representam uma adaptação cultural de costumes incorporados à identidade brasileira.
Os teólogos também apontam que a crítica evangélica à idolatria vai além de imagens religiosas. Segundo essa visão, qualquer forma de devoção excessiva a bens materiais, líderes religiosos, políticos ou outras figuras pode ser considerada idolatria. Para eles, a fé cristã envolve uma vigilância constante contra tudo aquilo que possa ocupar o lugar central atribuído a Deus.
