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“O que explica nosso fetiche pelos atrasados do ENEM?”, pergunta blogueiro

O jornalista Matheus Pichonelli publica um interessante texto em seu blog para especular as razões de vemos tanto interesse da imprensa nos estudantes que se atrasam para a prova do Enem. “O que explica nosso fetiche macabro com os atrasados do Enem?”, pergunta ele. E o texto especula as razões: ele diz que, uma vez na universidade, mudou o comportamento: passou a se chamar o Matheus da faculdade X, depois o estagiário da empresa tal e, mais tarde, o Matheus, do jornal Y. “Hoje, vendo os urubus que se divertem com os jovens vestibulandos (…), começo a compreender o porquê daquela minha zona mista de arrogância e insegurança (…). Os adultos apostavam em nossos fracassos como quem ri dos que escorregam na casa de banana, aquele riso aliviado de saber que aquela dor não é nossa, mas de outro infeliz”, escreveu.

Bingo!

Esse interesse explica também o fracasso da educação brasileira. Em vez de nos concentramos naqueles que romperam as barreiras sociais, nos concentramos naquele que se deu mal. É como se disséssemos: “está vendo, o Brasil não tem jeito mesmo”. Ainda que esse fracasso episódico diga respeito a uma minoria bem pequena. Mas pode ter certeza: ela estará sempre nas reportagens da televisão e dos jornais, como se compensasse a frustração de muitos.