O que faz os dias de calor extremo serem cada vez mais comum no Brasil

As ondas de calor extremo que têm castigado o planeta estão diretamente ligadas às emissões de gases poluentes, aponta estudo publicado na revista Nature. A pesquisa revela que 50% do agravamento de eventos extremos entre 2000 e 2023 pode ser atribuído às emissões das 180 maiores produtoras de combustíveis fósseis e cimento do mundo. O análise examinou 213 ondas de calor em 63 países.
Segundo os pesquisadores, sem a influência das mudanças climáticas causadas pelo ser humano, pelo menos um quarto desses episódios de calor extremo teria sido “praticamente impossível”. As ondas de calor se formam quando massas de ar quente e seco encontram bloqueios atmosféricos – sistemas de vento na alta atmosfera que impedem a chegada de frentes frias ao continente.
No Brasil, o padrão de circulação atmosférica alterado pelo aquecimento global resulta em períodos mais longos de estiagem e calor intenso, seguidos por chuvas extremas concentradas em poucos dias. Dados do Inpe mostram crescimento alarmante: de 7 dias de calor atípico por ano na média entre 1961-1990 para 52 dias entre 2011-2020.
O calor extremo representa grave risco à saúde, causando desde náuseas e tonturas até, em casos severos, falência de órgãos e morte. O estresse térmico impõe limites à capacidade de adaptação do corpo humano, transformando as ondas de calor em emergências de saúde pública cada vez mais frequentes.
