O que os fonoaudiólogos falam sobre os exageros na hora de gritar gol

O grito de gol faz parte da emoção do futebol, mas o esforço intenso e repetido durante uma partida pode sobrecarregar as cordas vocais. A otorrinolaringologista Fernanda Dal Bem Kravchychyn, do Hospital Alvorada Moema, em São Paulo, explica que o maior risco não está em um grito isolado, e sim na repetição: durante o grito, as pregas vocais colidem com intensidade muito maior do que na fala comum. Com informações do Metrópoles.
Depois de um jogo, é comum sentir rouquidão, cansaço para falar, garganta arranhando e dificuldade para alcançar sons mais agudos. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram em 24 a 48 horas com hidratação e redução do uso da voz. “A voz costuma dar sinais antes que uma lesão importante apareça. Ignorar uma rouquidão persistente pode transformar um problema temporário em uma alteração que exige tratamento especializado”, afirma Fernanda. Pessoas com refluxo, inflamações ou doenças prévias da laringe, além de tabagistas, têm maior suscetibilidade a lesões.
A fonoaudióloga Paula Anderle recomenda hidratação, pausas entre os gritos e evitar competir com o barulho da torcida. Já o otorrinolaringologista Gustavo Lara Rezende, professor da Universidade Católica de Brasília, orienta procurar avaliação médica em casos de perda importante da voz, dor intensa, falhas vocais frequentes ou rouquidão por mais de 10 a 14 dias, sinais que podem indicar edema, hemorragia ou pólipos nas pregas vocais. Para reduzir riscos, especialistas também recomendam evitar excesso de álcool e cigarro, não pigarrear repetidamente e descansar a voz quando ela já estiver gasta.
