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O tema de redação do ENEM e a jovem surda que não pôde fazer vestibular

Marcela Carvalho

O tema da redação do ENEM este ano foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. A estudante Marcela Carvalho, de Água Clara, no Mato Grosso do Sul, poderia estar em uma carteira, fazendo a prova. Mas, em dezembro 2016, quando foi proibida de fazer o vestibular numa faculdade privada de Três Lagoas, a AEMS, no Mato Grosso do sul, ela tomou uma decisão. Formada no ensino médio sem reprovação, ela nunca mais faria vestibular na vida.

É que Marcela, surda de nascimento, não pôde fazer a prova. Depois de estudar concluir o ensino médio com ajuda de intérprete, Marcela fez a inscrição para o curso de estética da faculdade. Na inscrição, sua mãe, Jackeline, informou que tinha a deficiência. Mas, na manhã do exame, depois de viajar mais de 100 quilômetros de sua cidade, Água Clara, até Três Lagoas, foi tirada de uma sala do exame e levada para outra, onde aguardou pelo menos uma hora até ser informada de que deveria voltar para casa. Não havia intérprete para auxiliar na aplicação das provas.

Na época, a mãe, Jackeline, declarou que Marcela ficou deprimida. “Ela está muito triste, não quer nem participar da festa de formatura da escola na próxima sexta-feira e tive que agendar consulta com psicólogo para ela”, disse Jackeline. O tio, Émerson Pereira de Carvalho, que é advogado, preparou uma ação por danos morais contra a faculdade, mas ainda não deu entrada na Justiça. Marcela é um exemplo de que a educação inclusiva no Brasil não consegue avançar de série. É um bom tema de redação, mas, na vida real, a educação de surdos não venceu os primeiros desafios.