O tratamento alternativo de Marcelo Rezende, segundo revista
Da Veja:
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Na busca natural por resposta na fé, Rezende chegou a encontrar-se com um bispo no Templo de Salomão, de Edir Macedo, dono da Record. Foi também com Geraldo Luís, colega de emissora, ao centro espiritual de João de Deus, em Goiás. Ali, o médium lhe “revelou”: ele deveria se cuidar com o nutrólogo Lair Ribeiro, best-seller de livros de autoajuda nos anos 1990 e 2000. Nos últimos tempos, Ribeiro notabilizou-se na internet por propagar a dieta cetogênica (com restrição severa de carboidratos) como arma eficaz contra o câncer. “Todo paciente que fizer a dieta vai se beneficiar”, defende. Ribeiro é malvisto na comunidade médica. “O câncer de pâncreas metastático é agressivo e não há alimentação que possa melhorar ou piorar o prognóstico”, explica o cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto. O perigo aparece quando se ignora o tratamento recomendado. Estudo da Universidade Yale com cânceres curáveis mostrou que pacientes em terapia alternativa têm 150% mais probabilidade de morrer.
A VEJA, Ribeiro disse que se encontrou com Rezende uma única vez. “Falei só para ele reduzir carboidratos.” Os mais próximos, porém, informam que o contato era frequente. O jornalista passou semanas na cidade paulista de Ribeirão Preto, onde atua uma médica ligada ao método de Ribeiro. Ele relatava pagar 50 000 reais semanais pelas práticas, que envolviam cápsulas “importadas”. Nas últimas duas semanas, já em casa novamente, o doente definhava entre fortes dores e mantinha uma ambulância à porta, mas só voltou ao hospital cinco dias antes de morrer. “Quando Marcelo foi internado, Lair Ribeiro ficou uma hora com ele ao telefone, dizendo que a dor é o caminho da cura”, afirma um parente. A família está abalada por acreditar que a sobrevida seria maior e menos dolorosa com a quimioterapia. É claro que isso não exclui a fé. Rezende, aliás, tinha grande conforto com leituras sagradas. No domingo, durante o enterro do apresentador, em São Paulo, amigos puseram em seu caixão um exemplar da Bíblia. Ao lado do volume, a rolha do mítico vinho francês Château Petrus servido no velório aos íntimos em um brinde, como era o desejo do jornalista.
