Obra de sobrevivente do Holocausto ajuda a manter história para novas gerações
Reportagem de Jaime Spitzcovsky na Folha de S.Paulo.
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O relógio biológico avança. Com o desaparecimento de sobreviventes do Holocausto, minha filha Silvia, 15, dispõe cada vez menos de oportunidades de convivência com vítimas da guerra. Ela se identifica com a chamada “terceira geração” pós-Holocausto, de descendentes daqueles cuja vida foi ceifada ou indelevelmente marcada pela barbárie nazista.
Manter viva a memória do genocídio, sem o contato direto com as vítimas, e enfatizar o caráter judaico e universal do Holocausto despontam como desafio na transição geracional. Integrantes da “segunda geração”, como eu, aos 52 anos, se sentem estimulados a refletir sobre mecanismos para enfrentar a tarefa histórica.
No horizonte transicional, ganha ainda mais relevância a vasta literatura já produzida sobre matanças perpetradas pelo nazismo. Autobiografias, em especial, transformam-se numa das mais valiosas ferramentas para proteger a memória.
Em “A Erva Amarga”, Marga Minco, pseudônimo da jornalista e escritora Sara Menco, narra sua trajetória, de jovem judia holandesa durante a ocupação nazista, única de sua família a sobreviver à perseguição.
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Em tempos de mudanças geracionais e do recrudescimento, na Europa, de movimentos nacionalistas e de extrema direita, como evidenciaram as eleições na Alemanha e estocadas populistas do governo polonês, obras como as de Marga Minco, Primo Levi, Elie Wiesel e Anne Frank, entre outros, ganham importância ainda maior.
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