Óculos da Meta facilitam assédio e exposição de mulheres, aponta estudo

Um estudo da Universidade de Sydney, na Austrália, concluiu que os óculos inteligentes da Meta podem facilitar o assédio e a exposição digital de mulheres. A pesquisa analisou 350 vídeos publicados entre 2023 e 2026 e classificou cerca de 60% dos casos como assédio potencial, com sinais de desconforto ou tentativas das vítimas de se afastar.
Os pesquisadores identificaram revelação de dados pessoais, como localização, nome e perfil em redes sociais, em 43% dos vídeos. Outros 13% das gravações focavam partes do corpo das mulheres, enquanto cerca de 14% mostravam mulheres racializadas que recebiam comentários racistas. O estudo aponta que a gravação em primeira pessoa e os sinais discretos de funcionamento dificultam que pessoas filmadas percebam a captura de imagem e áudio.
A Meta afirmou que considera a confiança de usuários e de pessoas ao redor desde o desenvolvimento dos dispositivos e citou funções como música, tradução simultânea e chamadas sem uso das mãos. No Brasil, a Anatel autorizou a venda da segunda geração dos óculos em setembro de 2025, por cerca de R$ 3 mil. Organizações como Girl Up e Ctrl+Z passaram a defender medidas contra gravações sem consentimento e maior fiscalização das regras de proteção à imagem e à privacidade.
