Oito milhões de pessoas estão sem proteção contra febre amarela no Rio de Janeiro
Reportagem de Fábio Teixeira e Selma Schmidt no jornal O Globo.
O sinal de alerta reacendeu nesta segunda-feira com a confirmação de mais duas mortes por febre amarela em Valença, no Sul Fluminense, subindo para três o número de óbitos em decorrência da doença no estado este ano. O primeiro caso foi em Teresópolis, na Região Serrana. Enquanto isso, a cobertura vacinal está muito aquém do necessário. A estimativa da Secretaria estadual de Saúde é que mais de oito milhões de pessoas (cerca de 60%) de um público alvo de 14 milhões — incluindo grupos inseridos em 2018 pelo Ministério da Saúde, como os idosos com aval médico — ainda não foram vacinadas. Na capital, a Secretaria municipal de Saúde informa que apenas 1,69 milhão procurou os postos no ano passado para tomar a vacina, sendo necessário imunizar outros dois milhões. Porém, diante dos novos casos da doença e da notícia de que quatro macacos-prego foram achados mortos nos últimos dois dias numa via de acesso à Floresta da Tijuca, houve correria aos 244 centros de saúde e às clínicas da família da prefeitura.
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A superintendente de Vigilância em Saúde do município, Cristina Lemos, garantiu que não faltam vacinas. Mas, a partir desta terça-feira, como cresceu a procura, serão distribuídas senhas nos postos.
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Em todo o estado, além dos três mortos, há um paciente de Valença internado em Resende com diagnóstico confirmado de febre amarela. Há outros sete casos sob investigação — um morto e seis internados — cinco deles moradores de Valença.
Os corpos dos macacos achados por moradores da comunidade do Catrambi no acesso à Floresta da Tijuca serão analisados pela Fundação Oswaldo Cruz. Há suspeita de que os animais possam ter sido contaminados pela febre amarela. Segundo a coordenadora do Laboratório Municipal de Saúde Pública, Roberta Ribeiro, o exame deve demorar pelo menos dez dias para ficar pronto, porque os animais foram recolhidos em decomposição.
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