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ONU declara inválido referendo da Crimeia aprovando anexação à Rússia

 

A Assembleia-Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira uma resolução declarando inválido o referendo realizado no início do mês no território ucraniano da Crimeia, no qual foi aprovada sua anexação à Rússia, em uma votação que as nações ocidentais disseram ter sido mais um reforço no isolamento russo.

As resoluções da Assembleia-Geral não são de cumprimento obrigatório, mas representam a pressão da comunidade internacional quando aprovadas por um grande número de países.

Houve 100 votos a favor, 11 contra e 58 abstenções na votação na Assembleia integrada por 193 países. Mais de 20 países não participaram, ou porque não apareceram ou porque não pagaram suas contribuições à organização, disseram diplomatas da ONU.

Diplomatas ocidentais disseram que o número de votos a favor do “sim” foi maior do que o esperado, apesar do que eles definiram como esforços do lobby agressivo de Moscou contra a resolução.

Antes da votação, um diplomata ocidental havia estimado que um resultado com 80-90 votos pelo “sim” seria um sucesso para a Ucrânia. Outros diplomatas, também de países do Ocidente, concordaram, dizendo que o resultado mostrou quão poucos partidários ativos a Rússia tem em todo o mundo.

A resolução da Assembleia-Geral repete um texto que a Rússia vetou no início do mês no Conselho de Segurança. A declaração aprovada descarta o referendo na Crimeia como “não tendo validade, (e) não pode servir de base para qualquer alteração do estatuto da República Autônoma da Crimeia ou da cidade de Sebastopol”.

A resolução, que não menciona a Rússia pelo nome, diz que a Assembleia-Geral “apela a todos os Estados, organizações internacionais e agências especializadas para que não reconheçam qualquer alteração do estatuto” da Crimeia e de Sebastopol.

Embora a resolução não seja vinculativa, diplomatas ocidentais disseram que ela envia uma mensagem política forte sobre a falta de um amplo apoio à Rússia na questão da Crimeia. Eles disseram que o fato de a Rússia ter feito um lobby tão duro para persuadir Estados membros da ONU a não votarem pelo “sim” é a prova de que Moscou a levou a sério.

 

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REUTERS