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Organização contra armas químicas que teve brasileiro como presidente leva Nobel da Paz

A Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), encarregada de supervisionar a destruição do arsenal químico sírio, ganhou na sexta-feira o Prêmio Nobel da Paz de 2013.

Trata-se de uma organização relativamente pequena, que não faz parte da estrutura da ONU e que tem um orçamento modesto. Sua sede fica em Haia, na Holanda. Criada em 1997, teve como seu primeiro presidente o diplomata brasileiro Maurício Bustani, até 2002.

São da Opaq os especialistas que investigaram na Síria um ataque com gás sarin que matou mais de 1.400 pessoas, em agosto, numa mobilização que ajudou a evitar uma ação militar dos EUA contra o governo de Bashar al Assad.

Thorbjoern Jagland, presidente do comitê que concede o Nobel da Paz, disse que o prêmio serve para lembrar às nações com grandes arsenais químicos, como EUA e Rússia, da necessidade de acabar com essas armas, “especialmente porque elas estão exigindo que outros façam o mesmo, como a Síria”.

“Agora temos a oportunidade de nos livrar de toda uma categoria de armas de destruição de massa… Seria um grande fato na história se conseguíssemos isso”, acrescentou.

A missão da Opaq na Síria foi inédita por ocorrer durante uma guerra civil que já matou mais de 100 mil pessoas desde 2011. Integrantes do grupo chegaram a ser alvejados por franco-atiradores em 26 de agosto, mas nesta semana o diretor da entidade, Ahmet Uzumcu, disse que as autoridades sírias estão cooperando com o processo.

O prêmio marca uma volta do Nobel a questões “clássicas” do desarmamento, que estavam na sua origem, após decisões polêmicas nos últimos anos, como a premiação concedida à União Europeia em 2012 e ao presidente dos EUA, Barack Obama, em 2009.

O testamento do inventor Alfred Nobel, que institui o prêmio em 1895, diz que o Nobel da Paz deveria ser concedido a uma entre três causas: “Fraternidade entre as nações”, abolição ou redução dos exércitos permanentes, e formação e difusão de congressos de paz.

 

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REUTERS