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Os Divergentes: 2018 será a eleição dos ricos e famosos

Texto da jornalista Helena Chagas no site Os Divergentes.

Junto com uma resolução do TSE que havia ficado estrategicamente esquecida até agora, as cinzas da quarta-feira trouxeram uma certeza: mais do que qualquer outra, a eleição de 2018 será dos ricos e famosos. É o que acontecerá com a combinação da campanha mais curta (45 dias, sendo 30 de rádio e TV), que favorece os candidatos já conhecidos, com a permissão praticamente ilimitada de autofinanciamento, que coloca os ricos em larga vantagem.

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O benefício aos mais abastados será elevado à enésima potência, pois os milionários podem botar milhões em sua própria campanha, tendo como limites apenas o máximo de gastos permitido para cada cargo em disputa: para presidente da República, por exemplo, R$ 70 milhões; para deputado federal, R$ 2,5 milhões.

Seria injusto atribuir a eleição prefeito paulistano João Dória a essas regras, mas que elas ajudaram, ajudaram. Assim como podem ajudar muito a outros navegantes ricos da disputa presidencial deste ano, como Luciano Huck, por exemplo, se for convencido a entrar no páreo e resolver botar a mão no bolso.

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A última esperança da República está, para variar, no Supremo Tribunal Federal, onde esse assunto vai parar. É possível que, lá, seja restabelecido o limite para doação individual do próprio candidato. É bom lembrar, porém, que essa hipótese torna-se mais difícil à medida em que se aproximam as campanhas. Ou decide agora, ou nunca mais.

Ministros Luiz Fux, Herman Benjamin, Napoleão Nunes e Gilmar Mendes. Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE