Homem com câncer e 5% de chance de cura fica 8 anos sem doença detectável; entenda

Edgard de Luna, de 50 anos, está há oito anos sem doença detectável após ser diagnosticado com adenocarcinoma de pâncreas aos 42 anos, passar por quimioterapia, cirurgia e enfrentar uma recidiva. O caso é considerado raro pelos médicos que acompanharam o tratamento e está sendo documentado para publicação científica. Os sintomas começaram com um incômodo no estômago, tratado inicialmente como verme, gastrite e H. pylori.
A dor persistiu e depois migrou para as costas, quando uma médica pediu uma tomografia com contraste. “Você está vindo com esses sintomas há quase três meses. Não é normal”, relatou ele. O exame mostrou uma mancha, e Edgard foi internado. O tumor estava na cabeça do pâncreas, próximo da artéria mesentérica, em uma condição chamada borderline para ressecabilidade.
A equipe médica optou por quimioterapia neoadjuvante, usada para tentar reduzir o tumor antes da cirurgia. Edgard passou por 12 sessões a cada 15 dias, até que os exames indicaram redução suficiente para a operação. O procedimento durou nove horas, envolveu quatro cirurgiões e consistiu em uma pancreatoduodenectomia, uma das cirurgias mais complexas do abdômen. Antes da operação, a família foi informada sobre os riscos. “Desde o início eles nos falavam em 5% de chance de sobreviver”, lembra Edgard. Ao fim da cirurgia, o médico comunicou o resultado à família: “Tirei tudo. Deu tudo certo.” Um mês depois, porém, o marcador tumoral CA 19-9 continuou elevado, e um PET scan identificou uma lesão de 1,2 a 1,3 centímetro próxima à área operada.
Como a cirurgia era recente, a quimioterapia convencional foi descartada naquele momento. A oncologista Jamile Almeida apresentou alternativas, entre elas radiocirurgia e ablação por radiofrequência. Edgard aceitou a ablação, conduzida pelo radiologista intervencionista Ricardo Freitas, professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A técnica usa uma agulha guiada por tomografia para aplicar calor e desvitalizar o tecido. Hoje, Edgard faz acompanhamento regular e mantém rotina sem limitações funcionais.
