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Página de Doria no Facebook perde 94% das interações depois de ele abandonar a prefeitura

João Doria Jr. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Da Piauí:

A página de Doria no Facebook perdeu 94% das interações. No seu auge, ela registrou quase 8 milhões de comentários, likes e compartilhamentos por mês. Foi em janeiro de 2017. Um ano depois, em fevereiro de 2018, eram menos de meio milhão. Os números foram compilados pela piauí com a ajuda do CrowdTangle, uma ferramenta de monitoramento das mídias sociais distribuída pelo próprio Facebook.

A derrocada digital de Doria começou logo após seu ápice – e não parou mais. De 7,8 milhões em março de 2017, as interações dos usuários com a página dele no Facebook caíram para 5,1 milhões em abril, 2,2 milhões em junho e 1 milhão em outubro. Em fevereiro de 2018, bateram em seu ponto mais baixo: 458 mil. Foram bem menos interações do que as ocorridas no mesmo período nas páginas do senador Álvaro Dias, do Podemos, e do presidenciável João Amoêdo, do Partido Novo.

Coordenador de comunicação pessoal de Doria e responsável pelas mídias sociais do tucano, Daniel Braga atribui a perda de interações na página do prefeito à “queda de audiência” do Facebook como rede social.

O Facebook mudou seu algoritmo ao longo dos últimos meses e isso provocou mudanças no comportamento dos usuários. A perda de relevância, porém, parece ser um fenômeno particular do tucano. Enquanto a de Doria escorregava, as páginas oficiais de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e de Jair Bolsonaro, agora no PSL, oscilavam de um mês para o outro mas mantinham o mesmos patamares milionários de interações mensais com os usuários. No caso do militar reformado, entre 3 milhões e 5,6 milhões, como ele registrou em janeiro passado. E, no do ex-presidente, entre 900 mil e 3,6 milhões, também em janeiro de 2018.

Não são apenas comentários e likes. Ao contrário de outros políticos, Doria também começou a perder seguidores no Facebook. Foram 50 mil a menos desde outubro. O prefeito ainda tem 2,759 milhões de seguidores, mas eles se tornaram muito menos ativos do que costumavam ser. Essa perda de entusiasmo coincidiu com a piora significativa da popularidade do prefeito entre os paulistanos. Segundo o Datafolha, os moradores da capital paulista que acham sua gestão ótima ou boa caíram de 44% para 29%, entre fevereiro e novembro de 2017. Ao mesmo tempo, os que a consideram ruim ou péssima triplicavam para 39%.

Trabalhando com Doria desde a pré-campanha à prefeitura paulistana, Daniel Braga disse que já esperava a chuva de críticas no Facebook ao anúncio da pré-candidatura do chefe ao governo paulista. Para ele, o percentual de eleitores do tucano como Thalita Barbosa é “minoria ínfima, quase nada”, e que a maioria são “detratores tradicionais” ou robôs.

Entre eles, afirmou Braga, “há muita bolha vermelha” (referindo-se aos petistas). Mas o auxiliar de Doria atribui parte da culpa ao atual vice-governador de São Paulo, Márcio França, do PSB. “Ele replicou dezenas de postagens críticas ao João na página oficial dele no Twitter. Isso influenciou, com certeza”, disse o marqueteiro.

França, que tem apenas 7,2 mil seguidores no Twitter, rejeitou a hipótese em entrevista à piauí, feita pelo WhatsApp. “Kkkkk”, escreveu o rival do tucano na disputa pelo governo paulista. “Não tem nenhuma lógica que minhas redes sociais pequenas tivessem influência para gerar tanta reação. [As críticas ao tucano] ocorrem pela frustração da palavra descumprida”, disse o pré-candidato do PSB, que disputa com Doria o apoio explícito do governador Geraldo Alckmin na sucessão paulista.