VÍDEO: Violência infantil: pai que chutou filha diz que “perdeu a cabeça”

Um homem de 31 anos preso por chutar a filha de 3 anos no rosto afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que “perdeu a cabeça” e disse estar arrependido. O caso ocorreu em Francisco Beltrão, no interior do Paraná. Imagens mostram o pai caminhando com os dois filhos depois de voltar do mercado; ele relatou que a menina chorava e gritava durante o trajeto. “Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional. Eu jamais ia machucar a minha filha. Acabou acontecendo”, declarou.
O personal trainer José Luiz, dono de uma academia em frente ao local da agressão, interrompeu a ação e buscou imagens de câmeras de segurança que registraram o chute. “Peguei o flagrante dele fazendo aquele absurdo”, disse. Ele também afirmou que o homem o ameaçou: “Fica na tua porque não é com você e vai sobrar pra você”. Uma testemunha relatou que o irmão da menina, de 5 anos, ficou parado e parecia assustado após a agressão.
A Polícia Civil investiga pelo menos outras duas situações de violência envolvendo as crianças. A mãe pediu medida protetiva contra o marido e manifestou desejo de se separar. Parentes relataram que o menino de 5 anos teria sido agredido com um pedaço de pau no rosto, e a investigação também apura denúncias de castigos cruéis, como obrigar as crianças a ajoelhar sobre grãos de feijão e tampas de garrafas PET. O pai ainda não havia constituído advogado. O delegado Ricardo Moraes Faria dos Santos afirmou que a apuração considera indiciamento por tortura: “Até trabalhamos com a ideia não apenas de uma lesão corporal, mas sim um indiciamento por tortura, por ter imposto um grande dano físico e psicológico”.
Dados do Ministério da Saúde apontam aumento nos atendimentos hospitalares de crianças vítimas de agressão. Em 2020, 8,9 mil meninos e meninas de até 9 anos receberam atendimento em hospitais por causa de violência; no ano passado, o número chegou a 18.968, média de 52 crianças por dia. O Disque 100 recebeu, em 2025, mais de 189 mil denúncias de violência contra crianças, alta de 2,5% em relação ao ano anterior. Para Edson Ferreira Liberal, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, “violência não educa, violência deseduca e perpetua a violência”. Veja o vídeo:
Ver essa foto no Instagram
