Pancadaria da mídia atinge aprovação de Dilma, diz Berzoini
O governo tentará preservar a Petrobras de ataques político-eleitorais na CPI do Senado para evitar prejuízos econômicos à estatal, mas reconhece que o noticiário negativo contra a empresa e o governo já respingou na presidente Dilma Rousseff, como mostram pesquisas recentes, disse nesta terça-feira o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini.
“Na verdade, com a pancadaria que a mídia tem promovido com relação à presidente Dilma e ao PT, se ela não caísse (nas pesquisas), seria talvez um milagre da natureza”, disse à Reuters Berzoini, que assumiu o cargo no início do mês com a missão de recuperar a desgastada relação do Executivo com sua ampla base aliada.
Apesar dos últimos registros de queda na aprovação de Dilma e de seu governo e da perda de terreno na corrida eleitoral, o ministro descartou mudança na estratégia para a reeleição da presidente.
“Nós vamos ter, no momento apropriado, que é a eleição, a contraposição de projetos… Agora nós não vamos ficar nós, do governo, fazendo movimentos eleitorais”, argumentou.
“A Dilma é favorita? Acho que ela é favorita sim. Mas não ganhou a eleição e vamos ter que remar muito para ganhar essa eleição”, disse o ministro.
Uma das preocupações de Berzoini nas primeiras semanas à frente da pasta é evitar que a CPI da Petrobras no Senado aprofunde a avaliação negativa do governo e da presidente. Para ele, investigações parlamentares em anos eleitorais são um risco adicional.
“Eu trabalho com a ideia de que a CPI, em ano eleitoral, tem um risco muito grande de ser eleitoralizada completamente. Tanto no sentido político geral, quanto no sentido de ela não funcionar adequadamente”, afirmou.
Berzoini, que já presidiu o PT em 2005 e foi ministro do Trabalho e da Previdência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que não há planos infalíveis para controlar investigações políticas e que o governo tentará reduzir os danos dialogando com os aliados.
“Eu aprendi uma coisa como deputado: em CPI não tente fazer o plano infalível, porque não funciona. Depende muito da dinâmica dos fatos”, explicou. Segundo o ministro, é inevitável que dirigentes e ex-dirigentes da estatal sejam convocados para depor e que haja a apuração dos fatos e denúncias que vêm sendo divulgadas pela mídia.
“O governo não tem medo de nenhuma apuração, o governo tem convicção de que a gestão da Petrobras é uma boa gestão”, disse. “Se alguém cometeu algum erro na gestão da Petrobras e esse erro for comprovado, as pessoas vão responder por isso”, acrescentou.
“O fundamental é …ter garantia de que não se transforme num palanque. Isso não é fácil… Estamos lidando com a maior empresa brasileira, responsável por uma boa parte do PIB do Brasil. Responsável pela soberania energética do Brasil.”
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