Partidos de esquerda fazem “trégua” em torno do nome de Lula com julgamento
Reportagem de Cátia Seabra e Anna Virginia Balloussier da Folha.
Sob bênção de Luiz Inácio Lula da Silva, partidos de esquerda buscarão uma estratégia conjunta de sobrevivência a partir da quarta-feira (24), data do julgamento do petista pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.
Com a possibilidade de a condenação do ex-presidente se manter, PT, PC do B, PDT e até PSB promovem uma “trégua eleitoral” e anteciparam para após o Carnaval o lançamento de um programa com vistas a uma aliança no segundo turno do pleito —ou mesmo no primeiro. O PSOL tem acompanhado as discussões na condição de observador.
Fora PSB, todas essas legendas anunciaram (ou flertam com a ideia de) pré-candidatos —Manuela D’Ávila pelo PC do B, Ciro Gomes pelo PDT e Guilherme Boulos pelo PSOL.
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Nos bastidores, o ex-presidente defende o direito de siglas “testarem” sua viabilidade eleitoral. Mas ele cita o próprio Ciro —que em cenários sem Lula chega a 13% no Datafolha após tentar o Planalto duas vezes— como exemplo das dificuldades de suas candidaturas.
Em março, Ciro disse à Folha que, com Lula no páreo, via para si no máximo “um papel nobre” na disputa. “Vou lá para meus 12%, 15% no mínimo, mas daí dizer para o povo que acredito que vou ser presidente… Não consigo mentir desse jeito.”
Na terça (16), as fundações desses quatro partidos concluíram um documento batizado de “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Em fevereiro, suas bancadas se reunirão no Congresso. O presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, admite que o cronograma foi adiantado após TRF-4 programar o julgamento para janeiro.
Ex-presidente do PC do B, Renato Rabelo diz que o debate servirá de base para uma unificação. Prometer resistência sem unidade ampla seria “bravata, uma visão primária”. “Se a esquerda tiver uma base mínima referencial, poderá se juntar até no primeiro turno.”
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Se a sentença for ratificada, o PT abrirá debate sobre um plano B. Principais apostas: o ex-governador da Bahia Jaques Wagner e o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad.
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