Cataratas do Iguaçu: por que a água não leva a passarela?

A passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, resiste às grandes cheias porque suas fundações penetram a rocha do leito do rio. Nesta quarta-feira (14), a vazão chegou a 15,8 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média histórica de 1,5 milhão, e a água ultrapassou a estrutura que leva turistas ao mirante das quedas.
A obra utiliza estacas-raiz: perfurações na rocha recebem armaduras de aço e cimento injetado sob pressão, criando uma ligação entre o terreno e o concreto da passarela. O diretor de engenharia da Fungeo, Vinicius Lorenzi, explicou que o sistema absorve grandes esforços, como o peso da estrutura, dos visitantes e a pressão lateral da correnteza. A passarela já suportou cheias de até 46 milhões de litros por segundo.
A estrutura atual começou a ser construída em 1992, após uma cheia levar a passarela anterior, inaugurada em 1970. Durante a obra, as equipes desviaram temporariamente o Rio Iguaçu para executar as fundações. A concessionária Urbia+Cataratas monitora os pilares com equipamentos capazes de detectar deslocamentos milimétricos e só reabre o acesso após vistoria técnica, quando a vazão fica abaixo de 8 milhões de litros por segundo. Em cheias, as equipes retiram preventivamente as grades metálicas para reduzir a resistência à água e impedir o acúmulo de galhos e troncos.
