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Pastor tenta provar que está vivo após erro em sistema do governo

Carlos Antônio da Silva, pastor de 54 anos em Mirassol
O pastor Carlos Antônio da Silva. Foto: Reprodução

O pastor Carlos Antônio da Silva (54) vive em Mirassol, no interior de São Paulo, e tenta há mais de uma década provar que está vivo. Um erro em sistemas do governo passou a registrá-lo como morto, o que bloqueou direitos básicos, como acesso à saúde, emprego com carteira assinada e crédito.

O problema começou em 2012, depois da morte da mãe de Carlos em um incêndio criminoso em Bocaiúva, em Minas Gerais. Por engano, os dados dele acabaram vinculados aos dela. “Quando eu cheguei de Minas para Mirassol, eu trouxe uma receita. E essa receita eu tinha que pegar na farmácia popular o remédio. Aí eu não consegui. Eu fui em cinco farmácias, constava óbito. Aí eu fui fazer uma nova consulta no posto regional da cidade, também tava constando óbito”, relatou.

Mesmo com decisões judiciais que reconhecem que Carlos está vivo, ele ainda enfrenta restrições. O advogado Augusto Stuchi afirma que a Justiça Federal já reconheceu o erro no banco de dados do INSS, mas que a anotação equivocada ainda aparece em outros sistemas, como na Caixa Econômica Federal, por causa do compartilhamento de dados entre órgãos públicos. “Hoje ainda permanece esse resquício”, disse.

Sem emprego formal, Carlos abriu uma igreja na garagem de casa. Ele é casado, tem três filhos e afirma que a família depende da ajuda de amigos. O pastor pede indenização de R$ 20 mil por danos morais. Em nota, o INSS informou que não há registro de óbito no cadastro do órgão e que eventuais correções devem ocorrer nos sistemas onde o erro aparece. A Caixa Econômica Federal não respondeu.