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Paulo Maluf pode ter doença tratada na Papuda, diz IML

Reportagem de Liana Costa no portal Metrópoles, de Brasília, aponta que um laudo do Instituto Médico Legal mostra que o político pode tratar seu câncer de próstata e outras doenças no complexo penitenciário de Brasília.

O juiz Bruno Macacari, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), negou, na tarde desta terça-feira (26/12), pedido da defesa do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) para que um médico particular examinasse o político no Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele está detido.

Segundo o Laudo nº 52111, produzido na última sexta (22) por técnicos do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília sobre o estado de saúde do parlamentar, o político, apesar de ter uma doença grave, não precisa de cuidados contínuos que não possam ser prestados na Papuda. Os médicos recomendaram, contudo, “acompanhamento ambulatorial especializado”.

A petição, enviada pelos advogados de Maluf nesta terça (26), solicitava a presença do médico Sami Jundi para a realização de um exame pessoal e como participante da perícia complementar marcada para hoje. A defesa do parlamentar também requereu a análise técnica das condições do estabelecimento carcerário.

O pedido, contudo, foi negado pelo juiz. Segundo Macacari, a presença de um assistente técnico já havia sido autorizada durante a perícia realizada na sexta (22), quando Maluf foi transferido para a Papuda. De acordo com o magistrado, o deslocamento do médico da cidade de Taquara, no Rio Grande do Sul, para Brasília impossibilitou que o profissional chegasse a tempo de acompanhar o trabalho dos peritos oficiais.

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Assinado pelos médicos legistas Hildeci Jose Resende e Gustavo Edreira Neves, o laudo produzido após a transferência de Paulo Maluf para Brasília na última sexta (22), revela que o deputado está acometido por doença grave e permanente, sem, contudo, “apresentar grave limitação de atividade”.

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Por meio de nota, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que indeferimento da presença de um médico particular para a realização de exames na Papuda é “incompreensível” e “atenta contra o direito de defesa”. “O dr. Sami não conseguiu estar no exame do IML e esteve presente na Papuda, onde teve indeferida a sua entrada. É absolutamente óbvio que ele faria um exame mais adequado se pudesse ter acesso físico ao dr. Paulo [Maluf]”, disse.

De acordo com o advogado, “a defesa segue convicta de que uma negativa da prisão domiciliar fatalmente impõe graves prejuízos à saúde do parlamentar, além de significar sofrimento desnecessário e desproporcional a um cidadão de 86 anos de idade, em claro ataque à dignidade da pessoa humana”.

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Paulo Maluf sendo levado. Foto: Estadão