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Pedro Cardoso: “O que tornou outros países melhores para se viver foram contribuições de um pensamento socialista”

O ator Pedro Cardoso está lançando “O Livro dos Títulos”. Vivendo em Portugal há dois anos e meio, ele falou com o Globo.

“Precisamos ambicionar uma revolução. Não sei qual é. Mas aguardo a novidade. E espero que aqueles que se iludem com totalitarismos mudem de opinião”, diz.

Um dos assuntos do livro é esse, sair em busca de um país mais organizado. Isso tem sido muito dito pela alta classe média, por quem tem condição econômica de fazer isso. Vão embora porque o Brasil “ficou insuportável”. Isso me incomoda muito, porque o que tornou esses outros países melhores para se viver foram certas contribuições de um pensamento socialista, que essas pessoas que querem ir embora negam ao seu país: o compromisso do estado com a escola, a saúde e o transporte público, uma polícia que não seja inimiga da população. São conquistas. Lá, ninguém acha que não deve haver escola pública de qualidade. Enquanto no Brasil ainda tem muita gente que acredita num capitalismo absoluto, sem contrapeso; e são justamente essas pessoas que querem ir embora. Não fui embora por isso. Aliás, não fui embora. Escrevi esse livro sobre o Brasil e para o Brasil.

Mas você compartilha esse sentimento de “inviabilidade” do país? Como vê o momento?

O meu momento é de perplexidade. Meus personagens têm muitas certezas. Eu tô zerado de certezas. Estou aqui sentado, esperando acontecer alguma coisa. O meu livro é tomado por essa preocupação. Infelizmente o parcial fracasso do PT abriu campo para o fascismo se manifestar violentamente. Eu continuo com as boas promessas e convicções a respeito da liberdade, igualdade e justiça social. São crenças válidas. Precisamos ambicionar uma revolução. Não sei qual é. Mas aguardo a novidade. E espero que aqueles que se iludem com totalitarismos mudem de opinião. A história já provou que a ambição totalitária, de direita ou esquerda, termina em assassinato, tortura, pobreza, revolta. Não traz nada de bom. Espero que essas forças fascistas não ganham adeptos. Mas não sei contribuir para que isso não aconteça.