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Peixes usam nadadeiras e cauda para escalar rochas de 4 metros; entenda

Bagres-abelha (Rhyaclinus paranensis) no rio Aquidauana
Bagres-abelha (Rhyaclinus paranensis) no rio Aquidauana – Reprodução

Pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) registraram um comportamento inédito de milhares de bagres-abelha (Rhyaclinus paranensis) no rio Aquidauana: os pequenos peixes foram flagrados escalando cachoeiras, rochas e até paredes naturais. O fenômeno surpreendeu a equipe, que analisou o deslocamento em massa durante o início do período de chuvas.

Segundo o estudo, os bagres utilizam nadadeiras abertas, cauda e movimentos laterais para se impulsionar, formando uma cavidade entre o corpo e a rocha que cria pressão negativa e garante aderência. O registro é o primeiro a documentar escalada e aglomeração em massa entre peixes da família Pseudopimelodidae, até então pouco estudada em ambientes de correnteza.

A pesquisa, autorizada pelo ICMBio e pelo SisBio, coletou 439 exemplares, dos quais 14 tiveram o sexo identificado. Nenhum dos peixes havia se alimentado durante o deslocamento, o que sugere relação com a desova. Para os pesquisadores, o comportamento reforça a importância de conservar rios livres de barragens e fragmentações, essenciais à migração dessas espécies.