Perigo: IA leva mulheres aos consultórios em busca de versões irreais do próprio rosto

Imagens geradas por inteligência artificial têm levado mulheres a procurar consultórios médicos com referências de versões alteradas do próprio rosto e corpo. A engenheira civil Shelly Gizzi, de 41 anos, passou a questionar a possibilidade de afinar o nariz depois de usar programas e filtros, mas desistiu da cirurgia após conversar com a cirurgiã plástica Sabrina Mêne.
Mêne relata que pacientes passaram a levar imagens feitas em ferramentas como o ChatGPT para perguntar como ficariam após lipoaspiração ou preenchimento labial. Para a médica, os recursos modificam traços característicos e oferecem uma ideia de perfeição inexistente. A administradora Roberta Ferreira, também de 41 anos, afirmou que optou por se afastar das redes sociais depois de produzir diversas simulações de mudanças em sua aparência.
A dermatologista Fabiana Seidl diz atender mulheres entre 35 e 50 anos que buscam uma pele sem poros, manchas, vasos ou textura. A psicanalista e especialista em ciberpsicologia Angélica Mari alerta que modelos generativos carregam vieses eurocêntricos, ao privilegiarem pele clara, cabelo liso e nariz fino, e defende educação midiática para uma relação mais consciente com o ambiente digital.
