Personalidade pode influenciar isolamento no envelhecimento

Um estudo publicado na revista JAMA Network Open aponta que traços de personalidade podem influenciar o risco de isolamento social na terceira idade. Pesquisadores analisaram dados de mais de 2,6 mil idosos nos Estados Unidos em intervalos de três, seis e nove anos.
No período mais curto, indivíduos com níveis mais altos de extroversão e amabilidade apresentaram menor risco de isolamento. Já nos acompanhamentos de médio e longo prazo, características ligadas à rigidez, à autossuficiência e à necessidade de controle apareceram associadas a uma maior chance de afastamento do convívio.
A pesquisa também identificou perfis mais vulneráveis ao fenômeno: homens, pessoas sem vínculo conjugal, idosos de baixa renda e indivíduos com maior prevalência de tabagismo, doenças crônicas e diagnóstico de demência. O psiquiatra Luiz Henrique Monteiro, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirmou que o contato social funciona como fator protetor contra o declínio cognitivo. “Evidências robustas reiteram que o isolamento é um risco modificável, sendo a socialização essencial para a preservação cognitiva de idosos.”
O estudo utilizou o modelo Big Five, que avalia abertura a experiências, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo. Os autores diferenciam o isolamento social da solidão: o primeiro envolve a redução objetiva de contatos e vínculos, enquanto a segunda descreve uma percepção subjetiva de desconexão. Monteiro citou o descuido com a higiene pessoal, o afastamento da vida em comunidade e a recusa frequente de convites como sinais que merecem atenção dos familiares.
