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Pesquisa revela segredos da longevidade de supercentenários no Brasil

Mãos de idosa. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Um estudo inédito realizado pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que o segredo para a longevidade extrema está no DNA dos supercentenários brasileiros, e não em dietas específicas como as do Mediterrâneo. O artigo, publicado na revista Genomic Psychiatry, destaca que o país possui uma diversidade genética única, resultado de sua história de miscigenação, que pode ser crucial para entender o envelhecimento e a resistência a doenças.

Cientistas apontam que o país tem recursos valiosos que podem ajudar a desenvolver tratamentos para quem não possui essas vantagens genéticas naturais. O estudo, liderado pela geneticista Mayana Zatz, descobriu que o DNA dos supercentenários brasileiros possui sequências genéticas e variantes imunológicas que não aparecem em outras populações do mundo.

Com base em mais de 160 centenários e 20 supercentenários validados, os pesquisadores identificaram mais de 160 variantes genéticas associadas à longevidade, muitas das quais relacionadas ao sistema imunológico. Esses achados são considerados um tesouro para futuras pesquisas sobre como o corpo humano pode resistir a doenças e envelhecer de forma mais saudável.

Além das descobertas genéticas, o estudo também trouxe à tona a resiliência dos supercentenários frente a desafios, como a pandemia de Covid-19. Três supercentenários brasileiros sobreviveram ao vírus antes da vacinação, o que intrigou os cientistas. A análise revelou altos níveis de anticorpos e proteínas plasmáticas, sugerindo uma resposta imunológica eficaz contra o patógeno. Isso reforça a hipótese de que os supercentenários possuem um sistema imunológico excepcionalmente forte, capaz de proteger o organismo de doenças graves.