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Negros são 93,9% dos mortos por intervenção policial na Bahia, aponta estudo

Agentes de segurança pública em área urbana
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução

Pessoas negras representam 93,9% das mortes por intervenção de agentes de segurança pública na Bahia, segundo o estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, da Rede de Observatórios da Segurança. O índice supera a proporção de pretos e pardos no estado, de 79,7%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O levantamento, divulgado na quarta-feira (1º), analisa dados de 2025 na Bahia, Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Na Bahia, 346 dos 365 dias do ano tiveram registros de mortes provocadas por agentes públicos de segurança; em números absolutos, o total chegou a 1.243 pessoas.

Segundo a pesquisa, as vítimas seguem um padrão observado nos demais estados analisados: maioria de jovens de até 29 anos, homens, moradores de periferias e favelas. A cientista social Silvia Ramos, diretora da Rede de Observatórios da Segurança, afirmou: “Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias”.

O estudo também aponta que pessoas negras têm quatro vezes mais risco de morrer pela polícia do que pessoas brancas e registra o quinto ano consecutivo em que a Bahia contabiliza mais de mil mortos por intervenção policial. Para Larissa Neves, pesquisadora do Observatório de Segurança da Bahia da Iniciativa Negra, a atuação de mais de 20 facções em disputas territoriais e a resposta estatal baseada no confronto colocam jovens negros em dupla vulnerabilidade. Até a publicação da reportagem original, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia não havia respondido.