Piloto da Voepass foi promovido sem experiência mínima e ‘coaptado’ para omitir panes

O relatório final da Polícia Federal sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em 2024, concluiu que o comandante Danilo Romano assumiu aeronaves ATR sem ter a experiência mínima exigida pela própria companhia. O acidente matou as 62 pessoas a bordo do voo 2283, que seguia de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP), em 9 de agosto daquele ano. Romano tinha experiência anterior em jatos Airbus, mas chegou à operação do ATR com “zero hora” de voo no modelo, segundo a investigação. Com informações do G1.
Depoimentos reunidos pela PF indicam que Romano foi promovido durante a gestão de Rafael Gimenez Rodrigues na chefia de treinamento, apesar de a empresa exigir ao menos mil horas de voo em ATR para a promoção. Para os investigadores, a ascensão acelerada deixou o comandante mais suscetível a pressões internas para não registrar problemas técnicos. O relatório afirma que ele teria sido “coaptado” pela gestão para omitir falhas em troca da rápida promoção.
O comandante Luiz Cláudio de Almeida relatou à PF que pilotos mais rigorosos eram deixados de lado porque poderiam interromper operações ao seguir regras técnicas e afirmou ter pressionado Romano a comunicar uma falha grave em um motor durante um voo. A investigação também relacionou a pouca experiência prática do comandante no ATR à reação da tripulação diante do acúmulo de gelo no voo 2283. A Voepass declarou que cumpria os protocolos de segurança, manutenção e treinamento previstos pela Anac e afirmou que a tripulação estava habilitada e devidamente certificada.
