Calor extremo vira “novo normal” e mata milhares nos EUA e na Europa

Grande parte dos Estados Unidos e da Europa enfrenta um verão de calor extremo, em um cenário que cientistas apontam como o novo normal diante do avanço das mudanças climáticas. Na França, a onda de calor recorde no fim de junho matou mais de 2 mil pessoas, segundo estimativas. Na Inglaterra e no País de Gales, sucessivas ondas desde maio podem ter provocado mais de 2,7 mil mortes. Nos EUA, ao menos 44 pessoas morreram em um fim de semana marcado pelo feriado de 4 de Julho.
Em Phoenix, no Arizona, autoridades do condado de Maricopa adotam há anos medidas para diminuir os impactos das altas temperaturas. A região criou em 2021 o primeiro cargo de diretor de calor extremo do mundo e ampliou o acesso a centros climatizados, alguns abertos 24 horas, além de oferecer reparos e substituição de aparelhos de ar-condicionado a moradores elegíveis. As mortes relacionadas ao calor caíram de 645, em 2023, para 405, em 2025.
A queda, porém, pode não se manter. Até 11 de julho, o condado havia confirmado 23 mortes ligadas ao calor e investigava outras 282. Para especialistas, cidades precisam tratar o fenômeno também como questão de infraestrutura e economia, já que temperaturas elevadas deformam estradas e afetam voos. Desde o início da era industrial, a temperatura média global subiu mais de 1,1°C, e a tendência é de ondas de calor mais frequentes, duradouras e intensas.
