Por que pimentas ardem e viraram especiarias disputadas no mundo

A pimenta-do-reino e as pimentas atravessaram milênios como alimentos, mercadorias valiosas e motivo de disputas comerciais entre impérios. Na Idade Média, a pimenta-do-reino, originária da Índia, chegava em pequenas quantidades à Europa e alcançava valor comparável ao do ouro, o que lhe rendeu o apelido de “ouro negro”. Com informações de O Globo.
Hoje, a produção global dessas especiarias alcança níveis recordes. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam mais de 5 milhões de toneladas de pimentas secas, quase 1 milhão de toneladas de pimenta-do-reino e cerca de 5 milhões de toneladas de gengibre produzidas no mundo. Após as viagens de Cristóvão Colombo, as pimentas do gênero Capsicum, de origem americana, ganharam espaço e assumiram a liderança em volume de produção no fim do século XX.
A ardência tem explicação biológica. A piperina, da pimenta-do-reino, e a capsaicina, presente nas pimentas, ativam receptores do nervo trigêmeo, que detecta substâncias irritantes na boca, no nariz e nos olhos. O cérebro interpreta o estímulo como calor ou queimação. A capsaicina não se dissolve bem em água e tem afinidade com gordura; por isso, iogurte pode aliviar mais a ardência do que água.
