Como nasceu o famoso ‘piso de caquinhos’ das casas de SP

O piso de caquinhos, hoje associado à arquitetura paulistana e às casas brasileiras das décadas de 1940 e 1950, nasceu do reaproveitamento de peças quebradas nas indústrias cerâmicas do ABC Paulista. A Cerâmica São Caetano, fundada em 1913 e fechada em 1999, produzia lajotas de 20 por 20 centímetros, sobretudo em vermelho, preto e amarelo, mas parte delas se perdia durante a fabricação, a queima e o transporte.
Trabalhadores passaram a levar os fragmentos para pavimentar quintais de casas operárias, onde o uso de lajotas inteiras era mais caro. Resistentes à chuva e fáceis de limpar, os cacos permitiam que moradores criassem desenhos geométricos ou orgânicos sem um padrão fixo. A prática se espalhou pelas vizinhanças e depois chegou a residências de classe média em São Paulo e no Sudeste.
Com o aumento da procura, os fragmentos deixaram de ser apenas doados e passaram a ser vendidos em caixas por cerca de 30% do valor do piso inteiro. Na década de 1950, a demanda ficou tão alta que indústrias chegaram a quebrar peças perfeitas para comercializá-las como caquinhos. O revestimento perdeu espaço a partir dos anos 1970, com a redução dos quintais nas moradias urbanas, mas voltou a projetos contemporâneos valorizado por sua irregularidade, cores e memória.
