Apoie o DCM

VÍDEO: Câmera grava PM fazendo roleta-russa com adolescente em SP

Adolescente é ameaçado com a arma durante abordagem policial. Foto: Reprodução/TV Globo

O Tribunal de Justiça Militar condenou, na quarta-feira (15), o sargento Amauri dos Santos e o cabo Sandro Nascimento por crimes cometidos contra dois adolescentes durante uma operação na Favela da Caixa D’Água, na Zona Leste de São Paulo. Amauri recebeu pena de 12 anos e 5 meses de prisão por tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato, pelo desaparecimento de material tratado como drogas. Sandro recebeu pena de 4 anos e 10 meses, em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade.

As câmeras corporais registraram a ação pouco antes das 16h, em fevereiro do ano passado. Sandro segurou um adolescente pela camiseta e pelo pescoço, enquanto o soldado Eduardo Uchoa deu um tapa no rosto do rapaz. Em seguida, Sandro apontou uma pistola para a cabeça dele e encostou a arma no olho de outro adolescente. Minutos depois, Amauri bateu com uma vara em um dos garotos, colocou uma única bala no tambor de um revólver, girou o cilindro, apontou a arma para a cabeça de um adolescente e apertou o gatilho, sem que houvesse disparo.

A promotora de Justiça Militar Giovana Ortolano Guerreiro classificou a roleta-russa como tortura psicológica. “Se a munição alimentar a arma, dispara e o sujeito morre. É essa sorte ou azar que realmente inflige o temor na vítima”, afirmou. As gravações também registraram Amauri colocando a arma no rosto e no pescoço do adolescente, empurrando a cabeça do outro jovem contra uma parede e obstruindo a própria câmera corporal. Uchoa presenciou parte da ação, não interferiu e riu.

Depois das agressões, os policiais obrigaram os adolescentes a circular pela favela e entraram em casas sem mandado judicial. Em uma delas, encontraram galões, eppendorfs e pacotes aparentemente com drogas, mas a investigação apontou o desaparecimento do material. Uma auditoria de rotina localizou as imagens, e a Corregedoria da PM investigou o caso e prendeu Amauri e Sandro. No processo, Sandro alegou que encostou a arma no rosto de um adolescente porque se desequilibrou; Amauri disse que o revólver era de plástico, que a munição era uma cápsula de sabão e que o material recolhido era lixo. A defesa de Amauri não se manifestou, e o advogado de Sandro sustentou que a conduta configurava apenas transgressão disciplinar, tese rejeitada pela Justiça. Eduardo Uchoa e outros seis policiais respondem como réus e ainda aguardam julgamento.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por Fantástico (@showdavida)