Polícia Federal pede registros de endereços ligados a suposto operador de Aécio
Reportagem de Leandro Prazeres no portal UOL em Brasília.
A Polícia Federal solicitou cópias dos registros de entrada e saída de endereços ligados ao empresário Oswaldo Borges, apontado por delatores da Operação Lava Jato como operador do recebimento de caixa 2 de campanhas do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Borges comandou a licitação da Cidade Administrativa, obra mais cara da gestão do tucano e, segundo um delator da Odebrecht, teria cobrado e recebido dinheiro de propina e caixa 2 em favor a Aécio Neves e seu grupo político.
A defesa de Borges disse não ter autorização para dar entrevistas sobre o caso. A de Aécio Neves não respondeu às ligações feitas pela reportagem.
O pedido de acesso aos registros de endereços ligados a Oswaldo Borges foi feito no final de dezembro do ano passado e faz parte do inquérito que apura o pagamento de caixa 2 pela empreiteira Odebrecht a campanhas de Aécio Neves e seu grupo político. O inquérito tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).
A PF solicitou os registros das sedes da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), presidida por Oswaldo Borges entre 2003 e 2014. Os investigadores também pediram acesso aos registros das sedes da concessionária de veículos Minas Máquinas, da qual Borges é diretor financeiro, e de um apartamento alugado pela Odebrecht onde, segundo seus delatores, ocorriam as entregas de dinheiro vivo a intermediários de Borges.
O foco nesses endereços é uma tentativa dos investigadores de obter evidências que possam comprovar ou não os relatos de delatores da Odebrecht como Sérgio Neves, ex-executivo da empresa em Minas Gerais. Em depoimento prestado no ano passado, ele disse à PF que, em 2014, participou do pagamento de pelo menos R$ 5,2 milhões a Borges a título de caixa 2 para campanha presidencial de Aécio Neves e de outros integrantes do grupo político do tucano.
Segundo o depoimento, Sérgio Neves se encontrava pessoalmente com Oswaldo Borges na sede da Minas Máquinas, em Contagem, município da região metropolitana de Belo Horizonte.
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Sérgio Neves disse que chegou a fazer a entrega de R$ 500 mil em espécie nas mãos de Oswaldo Borges. O repasse teria sido feito no dia 3 de novembro de 2014 na sede da concessionária em Contagem.
O dinheiro, segundo Sérgio Neves, estava em uma mala. Depois da entrega, disse o delator, ele foi convidado por Borges para almoçar no refeitório da empresa.
O acesso aos registros de entrada e saída dos edifícios onde funcionam a concessionária Minas Máquinas pode ajudar a PF a elucidar uma aparente contradição entre os depoimentos de Sérgio Neves e Oswaldo Borges.
Em seu depoimento à Polícia Federal, Oswaldo Borges contradisse Sérgio Neves ao afirmar que não se encontrou com o ex-executivo da Odebrecht na sede da concessionária no ano de 2014.
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Oswaldo Borges e Aécio Neves mantêm relações próximas desde os anos 1980. Borges é casado com uma das filhas do padrasto do tucano, o banqueiro Gilberto Faria, morto em 2008.
Borges atuou como captador de recursos para a campanha ao governo de Minas Gerais em 2002 e, após a vitória do tucano, foi nomeado para presidir a Codemig. Ele ficou no comando do órgão até 2014, já durante o governo do sucessor de Aécio no governo mineiro, o hoje senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).
Em 2007, sob o comando de Borges, a Codemig realizou o processo de licitação para a construção da Cidade Administrativa, complexo de edifícios criado para centralizar órgãos públicos do governo de Minas Gerais. A obra estava orçada em R$ 500 milhões, mas custou R$ 1,26 bilhão.
Segundo delatores da Odebrecht e da construtura OAS, empreiteiras pagaram propina relativa à obra a Oswaldo Borges.
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Aécio Neves responde nove inquéritos no STF. Ele é investigado por suspeitas de recebimento de propina investigadas pela Operação Lava Jato e foi denunciado pela PGR (Procuradoria Geral da República) por ter pedido R$ 2 milhões ao empresário da JBS Joesley Batista. Em entrevistas e pronunciamentos, o senador tucano vem negando sua participação nas irregularidades.
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