“Só saíram porque o sino tocou”: mãe desabafa após estupro coletivo de filha em escola

A Polícia Civil investiga denúncias de estupros coletivos contra duas adolescentes de 14 anos dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. Segundo os relatos das famílias, cinco alunos do 9º ano abordaram as estudantes quando elas estavam sozinhas em uma sala durante o intervalo, em episódios ocorridos com cerca de um mês de diferença, um em julho e outro na segunda-feira (3). “Começaram a dar murro nas costas dela e ameaçando o tempo todo, tentando tirar a roupa dela. Só não conseguiram tirar a roupa dela porque a calça era muito apertada. Os meninos só saíram de cima dela porque o sino tocou na escola, para poder retornar à sala”, relatou a mãe de uma das adolescentes.
As famílias afirmam que as jovens ficaram abaladas após os episódios. “É um sentimento muito doloroso. Porque onde era para ter segurança dos nossos filhos, dentro de uma escola, não tem. A pergunta que não quer calar: onde é que estavam os gestores que ninguém viu, dentro da sala de aula, esse ocorrido?”, afirmou uma das mães. A outra declarou: “[Tenho] muita revolta, porque a minha filha hoje está com muito medo. Não está comendo, não está dormindo. Está muito assustada”. Segundo a advogada Luanny Porto, uma das estudantes procurou a direção logo após o ocorrido, mas nenhuma providência teria sido tomada. A prefeitura nega omissão, afirma que medidas administrativas, pedagógicas e legais foram adotadas e abriu procedimento para apurar a conduta dos profissionais da escola.
A primeira vítima só teria contado o ocorrido depois que a colega denunciou o outro caso. “Foi estupro coletivo, pois aconteceu com mais de um agente. Já registramos um boletim de ocorrência, encaminhamos as vítimas para o IML (Instituto de Medicina Legal) para fazer o exame sexológico”, disse Luanny Porto. As denúncias são investigadas pela 14ª Delegacia da Mulher, em Pontezinha, e o Conselho Tutelar foi acionado. As adolescentes não frequentam as aulas desde terça-feira (4) e, segundo a defesa, elas e as mães serão encaminhadas para acompanhamento psicológico. “Pelo que eu fui informada, os alunos foram suspensos, não houve expulsão. Eles foram suspensos e as mães providenciaram a transferência das vítimas, porque elas não se sentem mais seguras. Ainda que os meninos não estejam lá, elas continuam na escola”, afirmou a advogada.
Pernambuco – A Polícia Civil investiga a denúncia de estupros coletivos dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. À TV Globo, as mães das duas vítimas que relataram o caso falaram sobre as agressões que as jovens sofreram. Segundo os relatos, os… pic.twitter.com/45a6zJNpg1
— g1 (@g1) August 7, 2026
