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“Polícia paga merreca”: Investigador acusado de liderar revenda de drogas recebeu R$ 4 milhões

Everton Aires, conhecido como Bomba — Foto: Reprodução/TV Globo

O investigador da Polícia Civil da Paraíba Everton Aires, conhecido como Bomba, é acusado de liderar um esquema de revenda de drogas apreendidas em operações policiais. Segundo investigação exibida pelo “Fantástico”, ele recebeu mais de R$ 4 milhões em suas contas nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com o salário de cerca de R$ 8.500. Em uma das gravações, Bomba aparece tratando o comércio ilegal como negócio. “É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”.

A investigação aponta que cocaína, crack e skunk apreendidos em operações não eram encaminhados integralmente aos procedimentos legais e acabavam revendidos a traficantes. Em outro áudio, o investigador comparou a atividade ao comércio de qualquer produto e mencionou os ganhos que dizia obter fora do salário oficial. “É o mesmo que você estar vendendo qualquer outra coisa. Só que, em vez de você estar vendendo relógio, você está vendendo droga”. Ele também afirmou: “Eu trago tanto hormônio como suplemento desde 2007. Os ‘anabols’ [anabolizantes] deixam para mim mais do que o meu salário do Estado. A polícia paga uma merreca”.

Além de Bomba, são investigados o policial Eduardo Jorge, conhecido como Mão Branca, e o delegado Braz Morroni. Segundo a Polícia Civil, o grupo negociava com ao menos quatro criminosos, protegia foragidos e avisava suspeitos sobre operações. A operação do Gaeco e da Polícia Civil prendeu nove pessoas na última terça-feira (2), incluindo os três policiais e José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira. As defesas negam irregularidades.