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Polícia pede prisão de sete pessoas por homicídio no desastre da Samarco

Do Tempo:

Pela primeira vez desde o rompimento da barragem de Fundão, a Polícia Civil pede a prisão de seis engenheiros e diretores da Samarco e um da VogBR. Nesta terça-feira (23) está sendo apresentada a conclusão do primeiro inquérito sobre a tragédia.

Os sete responsáveis serão indiciados pelos crimes de homicídio qualificado pelo dolo eventual, inundação e corrupção ou poluição de água potável. Além disso a Polícia Civil também pede a prisão preventiva dos suspeitos.

Na Samarco foram indiciados o diretor presidente Ricardo Vescovi de Aragão, o diretor-geral de operações Kléber Luiz de Mendonça Terra, o gerente geral de projetos Germano Silva Lopes, o gerente de operações Wagner Milagres Alves, o coordenador técnico de planejamento e monitoramento Wanderson Silvério Silva, e o gerente de geotecnia e hidrogeologia Daviely Rodrigues da Silva. O sétimo indiciado é o engenheiro responsável pela declaração de estabilidade da barragem, Samuel Santana Paes Lourdes, da VogBR.

O primeiro inquérito instaurado pela polícia no dia 6 de novembro apurou a autoria, materialidade, circunstâncias, causas, consequências, danos e demais delitos provenientes da ruptura. O término das investigações ocorreu durante o período da terceira dilação de prazo concedida pela Justiça e que se encerraria no dia 12 de março.

Esta primeira etapa de investigação durou três meses e meio. O inquérito possui 13 volumes, 2.432 páginas e cerca de 100 oitivas.

A partir do rompimento da barragem, vários crimes foram consumados , entre delitos contra a vida, o meio ambiente, a incolumidade e a saúde pública. As comunidades que se encontram nas proximidades do local onde ocorreram os fatos ou próximas aos locais por onde os rejeitos se estenderam foram afetadas de diversas formas.

O rompimento da barragem de Fundão liberou aproximadamente 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério no meio ambiente. Parte destes rejeitos foi depositada nos cursos d´água afetados, causando em muitos a interrupção do fornecimento de água potável, tendo em vista as altas concentrações de substâncias acima dos limites permitidos.

Devido a diversidade de crimes e a complexidade das perícias técnicas, o inquérito inicial foi desmembrado em outro inquérito. O segundo procedimento instaurado pela Polícia Civil apura os crimes ambientais e licenciamento da barragem de Fundão, e o prazo para a conclusão é de 30 dias encerrando-se no dia 22 de março.