Sete pacientes morrem durante uso compassivo de polilaminina no Brasil

Sete pacientes que receberam polilaminina em uso compassivo morreram desde fevereiro, quando o Laboratório Cristália passou a disponibilizar a substância fora do estudo clínico. A morte mais recente ocorreu nesta quinta-feira (6). A pesquisadora Tatiana Sampaio apresentou os dados durante a Rio Innovation Week e informou que pouco mais de 100 pessoas tiveram acesso ao produto nessa modalidade no país.
Somente 17 pacientes completaram os seis meses mínimos de acompanhamento, período considerado necessário para avaliar a evolução clínica. Além das sete mortes, dez pessoas apresentaram mudança na escala AIS, que classifica a gravidade das lesões na medula espinhal. A alteração de AIS A para B ou C indica recuperação de função sensorial ou motora na região anal, mas não significa necessariamente retomada de movimentos.
O Cristália afirmou que a maioria dos pacientes não teve eventos adversos e que menos de 10% registraram ocorrências possivelmente relacionadas à substância, sem casos graves. O uso compassivo, autorizado pela Anvisa, permite acesso voluntário a tratamentos ainda em pesquisa, mas seus resultados não substituem ensaios clínicos. A polilaminina ainda precisa demonstrar segurança e eficácia; o estudo aprovado pela agência deve recrutar cinco voluntários e será conduzido por equipes do Hospital das Clínicas da USP e da Santa Casa de São Paulo.
