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Políticos como Aécio Neves rebaixam pretensão eleitoral para não perder foro privilegiado

Reportagem de Talita Fernandes e Daniel Carvalho na Folha.

Ao menos 40 políticos investigados na Lava Jato correm o risco de ver seus processos, hoje nas mãos do STF (Supremo Tribunal Federal), serem remetidos para a primeira instância da Justiça.

Se não renovarem seus mandatos em outubro ou garantirem uma vaga no primeiro escalão do próximo governo, deputados, senadores, ministros e o próprio presidente Michel Temer perdem o chamado foro especial, o que garante a eles, normalmente, uma tramitação do processo mais lenta do que nas instâncias inferiores.

Enquanto no STF decisões como recebimento de denúncia e julgamento de uma ação penal só podem ser feitas de forma colegiada (em grupo), na Justiça federal o magistrado julga sozinho.

A candidatura de Temer à reeleição não está definida, o que dependerá, segundo aliados, de uma eventual melhora nos índices de popularidade, atualmente em 6%, de acordo com a última pesquisa Datafolha. Para o Planalto, esse indicador precisa atingir ao menos 15%.

A Presidência afirma que o emedebista “não tem nenhuma preocupação em manter ou não foro especial”.

Também investigados na Lava Jato, os ministros mais próximos de Temer, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), não disputarão a eleição. Moreira nega qualquer possibilidade de se candidatar. “Já dei minha contribuição”, afirma Padilha. Nenhum deles, porém, comenta a perspectiva de perda do foro.

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O senador Aécio Neves (PSDB-MG), segundo colocado nas eleições presidenciais de 2014, pode ter o mesmo destino. Embora sustente que a Câmara não está nos seus planos, aliados do tucano afirmam que a possibilidade está sob análise.

O mineiro tem feito uma série de reuniões no estado. “Somente após essas conversas ele decidirá seu futuro em relação às próximas eleições”, diz nota de Aécio, que nega vínculo entre a decisão e a manutenção do foro.

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Péssimo exemplo