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Por que a Chevrolet encolheu no Brasil, mesmo com 550 lojas

Chevrolet. Foto: Keiny Andrade/Folhapress

A Chevrolet mantém a maior rede de concessionárias do país, com mais de 550 pontos de venda, mas vem perdendo participação de mercado, segundo a coluna de Paula Gama no UOL. A General Motors, que controla a marca, fechou 2023 com 15,05% de participação em automóveis e comerciais leves, caiu para 12,68% em 2024 e encerrou 2025 com 10,82%. Em volume, passou de 314 mil unidades em 2024 para cerca de 275 mil em 2025. Em 2019, antes da pandemia, havia emplacado 475,6 mil veículos.

Com a retração, concessionários relatam que a estrutura foi desenhada para um volume maior de vendas. A queda no giro elevou o peso dos custos fixos, enquanto o portfólio envelheceu e a concorrência avançou, sobretudo no segmento de SUVs. O consumidor passou a comparar mais tecnologia, conectividade e equipamentos, pressionando margens em um cenário de menor fidelidade à marca.

Modelos de volume perderam fôlego. O Onix enfrentou desgaste após problemas envolvendo correia dentada banhada a óleo, afetando a confiança e o valor de revenda. A picape S10 perdeu espaço para Toyota Hilux e Ford Ranger. No campo elétrico, Blazer EV e Equinox EV atuam como vitrines, mas com preços na faixa de R$ 350 mil atendem nicho restrito. A Captiva EV, fruto de parceria com a chinesa SAIC e posicionada perto de R$ 200 mil, tenta ampliar competitividade.

A estratégia global de eletrificação até 2035 reorganizou prioridades da GM, mas no Brasil a transição mais lenta abriu espaço para rivais. A montadora também passou a utilizar incentivos regionais para produzir modelos no Ceará. A aposta agora recai sobre o lançamento do Sonic, previsto para abril de 2026, que disputará o segmento de SUVs compactos e terá a missão de recuperar volume e tráfego nas concessionárias.