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Por que a Espanha está incentivando população a “não se aposentar”

Idoso aposentado faz artesanato na Espanha. Foto: Reprodução

A Espanha enfrenta um desafio demográfico que ameaça o futuro do mercado de trabalho. Segundo estudo da Fundação Adecco, 5,3 milhões de pessoas devem se aposentar no país na próxima década, enquanto apenas 1,8 milhão de jovens ingressará no mercado. O desequilíbrio já provoca dificuldades para empresas que não conseguem atrair profissionais suficientes para suas vagas.

Diante desse cenário, cresce a proposta de adiar a aposentadoria e incentivar a permanência de trabalhadores mais velhos em atividade. O modelo já é discutido em países como Japão, Alemanha e China e começa a ganhar espaço na Espanha, onde especialistas e organizações defendem os efeitos positivos de se manter ativo após os 65 anos.

O sistema espanhol prevê aposentadoria aos 67 anos, ou aos 65 anos para quem comprovar pelo menos 38 anos e meio de contribuições. Desde 2013, as regras passaram a variar conforme idade e tempo de serviço, com o objetivo de equilibrar as contas da seguridade social diante do envelhecimento da população.

Neste ano, o governo espanhol também reforçou a chamada “aposentadoria ativa”. A medida permite que pessoas já elegíveis à aposentadoria continuem trabalhando, recebendo parte da pensão ao mesmo tempo em que permanecem no mercado. A estratégia busca aliviar a pressão sobre o sistema previdenciário e compensar a falta de jovens na força de trabalho.