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Por que apps de namoro têm investido em IA para criar o “match” perfeito

Grindr e Tinder, apps de namoro. Foto: Reprodução

Os aplicativos de namoro estão passando por uma transformação liderada pela inteligência artificial. Startups e gigantes do setor, como Tinder, Bumble, Hinge e Grindr, vêm incorporando algoritmos e chatbots para substituir o modelo tradicional de deslizar perfis. O objetivo é oferecer combinações mais assertivas e personalizadas, com base em preferências, comportamentos e até expressões faciais captadas em fotos.

Essa virada busca reacender o interesse dos usuários e recuperar lucros após anos de queda nas assinaturas pagas. A mudança surge em meio à crise das plataformas. Desde 2021, as ações do Match Group, dono do Tinder e do Hinge, despencaram 80%, enquanto o Bumble perdeu 90% de seu valor de mercado. A insatisfação dos usuários e o chamado “ciclo do desespero” (em que pessoas baixam, deletam e reinstalam os apps repetidamente) levaram as empresas a buscar soluções mais eficientes.

O Tinder testa o serviço Chemistry, que usa IA para avaliar fotos e sugerir combinações compatíveis. O Grindr lançou ferramentas que incluem um “padrinho virtual” e resumos automáticos de perfis, enquanto o Hinge reprogramou seu algoritmo e aumentou em 15% o número de matches. O Bumble promete lançar ainda em 2025 um app de namoro totalmente baseado em IA, enquanto o Facebook Dating introduziu uma função em que o usuário descreve seu par ideal e o sistema busca pessoas reais que se encaixem nesse perfil.

Apesar do entusiasmo das empresas, há resistência de parte dos usuários, que temem uma experiência de namoro “automatizada demais”. Mesmo assim, executivos como Whitney Wolfe Herd, do Bumble, defendem que a IA não é uma moda passageira. “Vamos mergulhar de cabeça — rápido e com força”, afirmou. A era do cupido digital, ao que tudo indica, está apenas começando.