Por que os centros das cidades brasileiras estão decadentes e vazios?

Os centros das grandes cidades brasileiras perderam moradores e atividade fora do horário comercial após décadas de expansão urbana acelerada e pouco planejada. Com a industrialização e a migração do campo para as cidades na segunda metade do século 20, novos bairros avançaram sobre áreas mais distantes, onde construir era mais barato. Em São Paulo, a população passou de 2 milhões de habitantes em 1950 para 5,9 milhões duas décadas depois e hoje soma 11,5 milhões. Com informações do g1.
O crescimento periférico ocorreu sem infraestrutura suficiente de transporte, saneamento e serviços públicos. Para Éber Marzulo, professor da UFRGS, a estrutura urbana reflete também os interesses de proprietários de terra, historicamente influentes no país. Ariadne Natal, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, afirma que adensar as regiões centrais evita a expansão contínua e cara da infraestrutura urbana.
A prioridade aos automóveis, com a desativação gradual dos bondes e a abertura de avenidas desde os anos 1950, acelerou o afastamento da classe média para novos empreendimentos, condomínios fechados e áreas próximas a shoppings. A redução de moradores nos centros deixou regiões voltadas ao comércio popular movimentadas durante o dia e vazias à noite e nos fins de semana, o que alimenta a sensação de insegurança. Projetos de revitalização no Rio, em São Paulo e São Luís tentam reverter o quadro, mas especialistas apontam que as ações precisam manter moradores e atividades nos locais ao longo de todo o dia.
