Entenda por que a África possui dois Congos

A presença da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026 trouxe de volta uma dúvida comum: por que há dois países chamados Congo na África? Apesar do nome semelhante, República do Congo e República Democrática do Congo são Estados independentes, com capitais, fronteiras e trajetórias políticas próprias.
A origem do nome remonta ao antigo Reino do Kongo, que povos bantos fundaram por volta do século 14 em uma área que hoje inclui partes da RDC, da República do Congo, de Angola e do Gabão. O Rio Congo também deu nome à região e ajudou a orientar a formação histórica dos dois países.
A divisão atual ganhou forma no fim do século 19, durante a Partilha da África e a Conferência de Berlim. A França passou a controlar a área ao norte do rio, conhecida como Congo Francês, enquanto Leopoldo 2º, da Bélgica, recebeu o território ao sul e a leste como propriedade pessoal, com o nome Estado Livre do Congo. Depois de denúncias sobre trabalho forçado, torturas e assassinatos, o governo belga assumiu a administração em 1908 e rebatizou a área como Congo Belga.
Os dois territórios se tornaram independentes em 1960. O antigo Congo Francês virou a República do Congo, com capital em Brazzaville; o antigo Congo Belga passou por mudanças de nome, incluindo Zaire durante a ditadura de Mobutu Sese Seko, e adotou em 1997 o nome República Democrática do Congo, com capital em Kinshasa. Hoje, a RDC tem mais de 100 milhões de habitantes e grandes reservas minerais, enquanto a República do Congo tem cerca de 6 milhões de habitantes e uma economia fortemente ligada ao petróleo.
