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Por que nem cirurgia reverte cegueira causada por metanol

Frascos de metanol. Foto: reprodução

Casos de intoxicação por metanol têm registrado um grave efeito colateral: a perda irreversível da visão. Segundo especialistas, substâncias tóxicas originadas do metanol atacam diretamente o nervo óptico, uma das estruturas oculares mais vulneráveis. A oftalmologista Luciana Finamor, do Grupo Fleury, explicou ao Uol que o problema não está na córnea, mas na conexão neural.

“Trocar a córnea seria como trocar a lente de uma câmera cujo fio interno já foi destruído: a luz entra, mas a imagem não chega ao destino”, disse a médica. Ela detalhou que o nervo óptico e a retina possuem alta concentração de mitocôndrias, estruturas celulares envenenadas pelo ácido fórmico, subproduto do metanol.

O tratamento deve ser imediato para evitar sequelas permanentes. “Se for rapidamente, ainda existe chance de impedir a progressão do dano, bloqueando a transformação do metanol em ácido fórmico com antídotos como etanol ou fomepizol, e removendo a substância com hemodiálise”, explicou Finamor.

Contudo, quando a lesão já está estabelecida, o quadro tende a ser irreversível. “Quando o paciente chega já com lesão do nervo óptico instalada, o quadro costuma ser definitivo. O que torna o metanol tão perigoso é a rapidez com que a cascata tóxica se instala”, alertou a oftalmologista.