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Por que o divórcio é cada vez mais comum após os 50 anos

Mulher retirando a aliança. Foto: ilustração

O fenômeno conhecido como “divórcio grisalho” registra crescimento significativo no Brasil. Dados do IBGE mostram que os divórcios entre pessoas com 50 anos ou mais representavam menos de 10% do total no início da década passada, mas atingiram cerca de 30% em 2023. Entre as mulheres nessa faixa etária, o índice subiu de 17% em 2013 para 20% no ano passado.

Segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, que entrevistou cem mulheres com mais de 50 anos, vários fatores explicam esse aumento. “Depois dos 50, elas não têm mais tempo a perder. Querem viver o que antes foi adiado em nome da família”, afirmou a pesquisadora ao Uol. Entre as razões estão relacionamentos longos mas insatisfatórios, desejo de liberdade, efeitos da menopausa e a convivência intensa durante a pandemia.

O psicólogo Elídio Almeida destaca que a saída dos filhos de casa funciona como ponto de virada. “Muitos casais centralizam a relação no papel de pais e deixam o vínculo conjugal em segundo plano”, explicou. Com o aumento da longevidade e uma visão mais positiva do envelhecimento, as pessoas estão mais dispostas a recomeçar.

As mulheres lideram esse movimento, segundo os especialistas. “As mulheres estão mais seguras em relação ao próprio corpo, à sexualidade e à forma como lidam com o envelhecimento”, observou Almeida. Goldenberg complementa: “O que elas mais invejam nos homens é a liberdade, porque eles sempre tiveram, mesmo com filhos e casa”.