Apoie o DCM

Por que o governo enviou observador para audiência com Flávio Bolsonaro nos EUA

Lula e Trump se reúnem na Casa Branca — Foto: Reprodução

O governo brasileiro enviou uma representante da embaixada em Washington para acompanhar a audiência pública organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discute a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participará da sessão na terça-feira, apresentando documentos e argumentos contrários à medida.

A audiência é considerada a última etapa pública da investigação antes da decisão final, prevista para 15 de julho. O Itamaraty destacou que o evento não configura um canal de negociação direta, mas uma oportunidade de ouvir representantes da sociedade civil e do setor empresarial, que defenderão os interesses do Brasil e alertarão sobre impactos econômicos negativos.

Empresas brasileiras argumentarão que o aumento das tarifas prejudicaria investimentos, reduziria empregos e elevaria os custos para consumidores americanos. A medida é vista como um obstáculo ao comércio bilateral e à competitividade das empresas nacionais no mercado internacional.

O USTR também propôs uma sobretaxa adicional de 12,5%, relacionada à suposta insuficiência de ações do Brasil contra o trabalho forçado, elevando o possível total da taxação para 37,5%. Flávio Bolsonaro defende que sanções individuais contra autoridades brasileiras seriam mais eficazes do que atingir toda a economia do país.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Foto: reprodução

Segundo o senador, a aplicação das tarifas poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando os interesses dos Estados Unidos. Ele apresentou um documento de 86 páginas detalhando esses argumentos e solicitando a suspensão das medidas.

O governo brasileiro mantém contato constante com autoridades americanas, após reuniões virtuais entre o ministro da Indústria, Marcio Elias Rosa, e representantes do comércio dos EUA. O objetivo é esclarecer impactos, reforçar negociações técnicas e evitar decisões que prejudiquem setores estratégicos da economia brasileira.

A observadora da embaixada acompanhará todos os procedimentos, garantindo que os interesses do Brasil sejam devidamente representados e que a participação do senador na audiência seja documentada oficialmente para o governo e para o público brasileiro.

A expectativa é que, ao final da audiência, o USTR leve em consideração os argumentos apresentados pelo Brasil e por Flávio Bolsonaro antes de emitir a decisão sobre a imposição das tarifas, mantendo diálogo aberto com autoridades e empresários de ambos os países.