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“Por que pagar?”: O impacto negativo do ChatGPT para trabalhadores autônomos

Mariana Del Nero, Cássio Menezes e Maria Fernanda — Foto: Reprodução

Ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, passaram a ser utilizadas por empresas para executar tarefas antes delegadas a profissionais autônomos, como produção de textos, tradução e criação de imagens. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK), divulgado em maio de 2025, indicou que um em cada quatro empregos no mundo está potencialmente exposto a transformações provocadas pela IA generativa.

A publicitária Mariana Del Nero, de 38 anos, produtora de conteúdo freelancer há 15 anos, relatou ter perdido um trabalho em 2024 para uma ferramenta de IA. “Percebi na hora que tinham feito com IA. Foi aí que eu entendi que, para tarefas simples, as IAs já estavam me substituindo”, disse. Segundo ela, depois do episódio passou a utilizar plataformas como o ChatGPT no dia a dia. “O que antes eu levava duas horas para fazer, hoje faço em 15 minutos, com a mesma qualidade”, afirmou.

O designer gráfico Cássio Menezes, de 35 anos, relatou mudanças nas negociações com clientes. “Por que você tá cobrando esse valor se eu posso ir no ChatGPT e fazer?”, disse ter ouvido em 2025 ao apresentar um orçamento. Já a tradutora Maria Fernanda, de 34 anos, afirmou que muitas ofertas atuais envolvem revisar textos produzidos por IA. “Hoje, a maior parte das ofertas de trabalho é para revisão de textos traduzidos pela IA”, declarou.