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Por que a permanência de Temer pode ser boa para Lula e o PT

Do UOL:

Deputados do PT protestaram, ajudaram a obstruir a sessão de quarta-feira (02) do plenário da Câmara e votaram por unanimidade a favor do prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) por crime de corrupção passiva — acabaram derrotados pela maioria, que decidiu pelo arquivamento da investigação. Mas na avaliação de especialistas entrevistados pelo UOL, a permanência do peemedebista à frente do Executivo pode ser boa para o Partido dos Trabalhadores sob o ponto de vista político.

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A tese de que o PT se fortalece com a exposição do governo Temer é um consenso entre membros do partido. Parlamentares, porém, evitam falar publicamente que o “sangramento” do opositor peemedebista favorece a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições do Planalto em 2018.

“Do ponto de vista eleitoral, não é nenhum desastre a permanência de Temer. Mas é um desastre ético-moral para o Brasil”, afirma o deputado Wadih Damous (PT-RJ) ao UOL.

Ele explica que se o governo do peemedebista “definhar e sangrar” por um longo tempo, causará um impacto positivo na candidatura do PT. “Mas a gente não pensa assim”, justifica. “Temos a obrigação moral da proteção de evitar que um presidente denunciado por um crime gravíssimo se mantenha no cargo”.

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Segundo o deputado Damous, é fato que Lula terá um “lucro político extraordinário” em sua campanha ao se comparar com Temer. “No governo Lula, era o tempo do quase pleno emprego, do prestígio internacional. Naquela época, o Brasil saiu da mapa da fome, da pobreza e agora está embarcando de volta. Isso fortalece o imaginário popular de que Lula é quem pode governar esse país”, argumenta.

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Esse é um cálculo típico da política: o que vale a pena sacrificar para conseguir o poder? É a chamada ética das consequências de que falava Maquiavel. Vale a pena usar determinados meios, cálculos estratégicos, para deter o poder? O resultado dessa conta é que nós todos perdemos muito com isso, o povo brasileiro perde”, acredita.

Segundo ele, esse “sangramento de Temer” vai subir de preço. “O esforço que vai ser preciso para garantir votos na Câmara para que não seja processado vai ter um custo altíssimo. Além disso, os meios de comunicação continuarão martelando denúncias e delações. Vai chegar ao ponto de que vai ser insustentável manter esse apoio”, afirma.

A senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR) nega que o discurso do PT incentive manter Temer “sangrando” em prol da candidatura de Lula. “Qualquer governo golpista vai fortalecer o PT. Pode ser o Temer, pode ser o Maia, pode ser o Meirelles. Quem quer que eles coloquem nesse lugar, sem a legitimidade, sempre vai haver [quem diga que] o governo do PT foi melhor, o Lula governou melhor esse país”.

(…), o relativo fôlego demonstrado pela oposição na votação sobre a denúncia contra Temer não vai se converter necessariamente em apoio para o PT ou para uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2018.

Para o professor da UFABC, nomes de diversos matizes ideológicos vão tentar aproveitar a atual crise política, e ainda não está claro quem pode sair ganhando. Ele citou o caso da bancada do Rio de Janeiro na votação da Câmara nesta quarta, quando deputados como Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Jean Wyllys (PSOL-RJ) foram contra o arquivamento da denúncia contra Temer.

“A oposição a Temer não saiu às ruas, seja pela direita, esquerda ou centro”, disse. “Muita gente vai tentar surfar nessa crise, e não está claro quem vai conseguir fazer isso.”